O apocalíptico conto do fim do marketing digital



Muito se fala no fim do marketing digital, mas será que ele vai acabar mesmo? Confira em nossa matéria que fala sobre o assunto mais comentando do momento.

Muito se ouve falar que os dados são o principal ativo da Economia Digital. Se por um lado as organizações aproveitam a alta capacidade de processamento de dados para reduzir custos e personalizar experiências, por outro os consumidores estão cada vez mais dispostos a compartilhar informações pessoais em troca de uma melhor experiência, produto ou serviço. Formado o cenário, compreende-se a necessidade de se impor “ordem na casa”, o que é feito através do estabelecimento de novas regras capazes de equilibrar a relação entre os dois polos.

Assim sendo, e levando em consideração a internacionalização do mercado nos dias de hoje, vê-se que não há fronteiras para a competitividade, principalmente com relação às empresas que utilizam dados como sua matéria prima. Essa competitividade direciona o foco das organizações para a adequação de suas ações ao que vem sendo exigido pelas atuais regulamentações. Seguindo essa linha de raciocínio e acompanhando a tendência mundial de tutela dos dados pessoais, o Brasil aprovou, em agosto de 2018, a tão comentada Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

A nossa lei de proteção de dados – que foi fortemente inspirada no Regulamento Geral de Proteção de Dados europeu – traz embutido o discurso de assegurar o correto tratamento de dados pessoais e promover o livre fluxo dessas informações, favorecendo o desenvolvimento do mercado e garantindo informações claras e transparentes ao titular do dado sobre como e para que suas informações estão sendo utilizadas.

Para fortificar o conceito de que o dado pertence ao seu titular, ainda que esteja em posse da organização, a lei traz como um dos seus fundamentos a autodeterminação informativa, conceito já bastante difundido na doutrina brasileira, mas que encontra novo aspecto e relevância dentro do contexto social e jurídico trazido pela valorização da privacidade e proteção de dados pessoais. Assim, a pessoa natural passa a ser protagonista tanto no fornecimento quanto na forma do uso de suas informações, uso esse que deverá corresponder a uma finalidade legítima, específica e informada.

Não é novidade que o atingimento da privacidade e proteção de dados pessoais na sociedade da informação é um desafio cada vez mais premente, principalmente quando se observa o grande avanço da tecnologia e a quantidade de dispositivos conectados por variados meios e formas. O impacto no marketing digital, que se alimenta massivamente do Big Data e conta com tratamentos automatizados para geração de perfis e análises preditivas, é inconteste e alguns cuidados precisam ser adotados.

No entanto, o cerne da questão não é (e nem pode ser) a inviabilização do serviço de marketing digital, o que acarretaria em grande retrocesso. Ao invés de assumirmos o luto pelo suposto fim dessa prática comercial, vamos concentrar energias no que precisará ser reavaliado no modus operandi dessa atividade específica com o advento da LGPD:

Autoconhecimento:

Se a coleta de dados se dá indiscriminadamente, no estilo “quanto mais melhor”, é hora de repensar. Hoje, já é plenamente difundido o conceito de que dados só possuem valor se puderem gerar informações qualificadas. Desta forma, deve-se apostar na qualidade e exatidão do dado, assim como na real necessidade de tratamento com base na finalidade pretendida. Ou seja, se uma finalidade é almejada, deve-se ponderar quais são os dados mínimos necessários para o seu atingimento. Com isso mapeado, a organização consegue avaliar o que é relevante e o que é descartável a fim de aprimorar seus procedimentos internos que envolvem tratamento de dados pessoais, otimizando tempo e espaço de armazenamento nos seus servidores com o descarte das informações desnecessárias e “poluentes”.

Políticas e Termos: